Primeiros Socorros

03. Socorro às Vítimas de Trânsito

alarm Tempo de estudo: 30 minutos

O que você vai ver:

    Como o tópico Socorro às Vítimas de Trânsito costuma ser cobrado na prova do DETRAN?

    O que fazer no atendimento de primeiros socorros de vítimas de trânsito?

    Lembre-se de que em primeiro lugar está a sua segurança e das pessoas que estão no local.

    No atendimento de socorro às vítimas, utilize luvas ou outro material, como sacos plásticos, para proteger suas mãos do contato com sangramento e secreções.

    Ao iniciar o contato com a vítima, faça tudo com base em 4 atitudes:

    1. Informe à vítima o que você está fazendo para ajudá-la.

    2. Ouça suas queixas, não minta e não dê informações que causem impacto.

    3. Aceite sua ansiedade respondendo às perguntas com calma.

    4. Seja solidário e permaneça junto à vítima em um local onde ela possa ver você.

    Se a vítima estiver agressiva, solicite a ajuda de familiares ou conhecidos dela, se houver algum.

    Facilite a respiração da vítima, tendo sempre o cuidado de não movimentá-la

    • Afrouxe a roupa da vítima.

    • Solte o cinto de segurança, caso ele esteja dificultando a respiração.

    • No caso de motociclistas, abra a viseira e a presilha do capacete.

    • Mantenha o local onde a vítima se encontra arejado.

    Se a janela estiver aberta, fale com a vítima sem abrir a porta. Se for abrir a porta, faça com muito cuidado para não movimentar a vítima.

    Identifique as vítimas com prioridade de socorro

    • : Vítimas inconscientes (desacordadas).

    • : Vítimas com parada respiratória.

    • : Vítimas com parada cardíaca.

    • : Vítimas com hemorragia (sangramentos abundantes).

    Dica para não errar Dica para não errar

    A prioridade de atendimento não está diretamente relacionada à gravidade da lesão.

    Uma vítima com parada cardíaca, por exemplo, tem maiores chances de morrer do que uma com parada respiratória.

    Porém, com procedimentos simples, você poderá aliviar rapidamente a causa da parada respiratória, garantindo a sobrevivência da vítima.  

    Outro ponto de atenção é que o sexo e a idade da vítima não devem ser considerados na prioridade do atendimento.  

    O que não se deve fazer com vítimas de trânsito?

    O que não se deve fazer:

    • Movimentar a vítima pode piorar uma lesão na coluna ou fratura. A movimentação só deve ser realizada, se houver perigos imediatos ou algum risco incontrolável.

    • Retirar capacetes de motociclistas pode agravar lesões no pescoço e fraturas no crânio.

    • Aplicar torniquetes para estancar hemorragias só deve ser feito por especialistas e em caráter de exceção.

    • Dar alguma coisa para a vítima ingerir poderá atrapalhar os procedimentos hospitalares.  

    Dica para não errar Dica para não errar

    Regras de ouro para acertar a maioria das questões de Primeiros Socorros:

    • Sua segurança primeiro. Proteja-se, evite contato com sangue ou secreções. Improvise ou use luvas e outros Equipamentos de Proteção Individual (EPI).
    • Boca-a-boca somente com equipamento apropriado ou pessoal treinado.
    • Não ofereça medicamentos.
    • Não dê líquidos para vítimas com suspeita de lesões internas (mesmo se ela pedir).
    • Não utilize as técnicas de garroteamento ou torniquete.
    • Não mexa em um membro fraturado, limite-se a imobilizá-lo.
    • Evite remover a vítima. Se inevitável, movimente o mínimo possível.
    • Não retire ou remova os veículos envolvidos para não prejudicar o trabalho da perícia.

    Quais são as principais etapas do atendimento de primeiros socorros às vítimas de trânsito?

    As principais etapas no atendimento de primeiros socorros às vítimas de trânsito são:

    • Análise primária.

    • Análise secundária.

    • Manutenção dos sinais vitais.

    • Execução de procedimentos emergenciais.

    Como realizar a análise primária?

    Na análise primária, você deve tentar identificar se a vida da vítima está em risco e tratar rapidamente os problemas que podem levá-la à morte.

    Observe se a vítima:

    • Respira, fala, vê e ouve.

    • Está consciente e em condições de prestar informações que possam ajudar no socorro.

    • Sangra pelo nariz, boca ou ouvidos.

    • Sofre asfixia ou parada cardíaca.

    Como realizar a análise secundária?

    Na análise secundária você deverá avaliar a vítima da cabeça aos pés em busca de lesões graves, mas que não colocam a vítima em risco iminente de morte.

    O ideal é realizar a análise secundária com 2 pessoas, para que uma segure a cabeça da vítima, pressionando as orelhas para não movimentar o pescoço, enquanto a outra apalpa as partes do corpo.

    Verifique:

    • Cabeça: crânio e face.

    • Pescoço: observe se há edemas (inchaços), cortes ou perfurações.

    • Olhos, orelhas, nariz e boca: se por eles saem sangue ou fluidos.

    • Tórax: se há edema, objetos encravados, fraturas.

    • Abdômen: divida o abdômen da pessoa em 4 quadrantes e apalpe.

    • Dorso: se há edema, afundamento ou deformidades.

    • Pelve: se há hematomas, sangramento pelas cavidades.

    • Extremidades: dedos, mãos, pés, braços, se houve amputações, cortes e fraturas.

    Como verificar os sinais vitais da vítima?

    Quem chega ao local de acidente para prestar socorro, precisa saber identificar os sinais vitais da vítima, para avaliar o quadro clínico geral.

    Os sinais vitais a serem verificados são:

    • Respiração

    • Pulsação

    • Pressão arterial

    • Temperatura corporal

    • Dilatação e reatividade das pupilas

    • Cor e umidade da pele

    Respiração

    Aproxime-se para escutar a boca e nariz do acidentado, verificando também os movimentos de tórax e abdômen.

    Avalie se a vítima está respirando e se respira de forma irregular. Conte o número de vezes que a vítima respira a cada minuto:

    Adultos

    Crianças

    Lactantes (bebês de até 1 ano)

    O normal é 12 a 20 movimentos respiratórios por minuto.

    O normal é 20 a 30 movimentos respiratórios por minuto.

    O normal é 30 a 40 movimentos respiratórios por minuto.

    Se a vítima não estiver respirando, levante o queixo dela e verifique se as vias aéreas estão obstruídas.

    Pegue a mandíbula da vítima, movimente-a para cima para estender o pescoço e descolar a língua da garganta, liberando a passagem do ar. Tome muito cuidado com a cervical.

    A respiração artificial boca-a-boca, desde 2010, não é uma ação recomendada. Ela deve ser executada somente por pessoal treinado e com equipamentos próprios.

    Pulsação

    Para verificar a pulsação da vítima, acomode o braço da pessoa e com os dedos indicador e médio apoiados no pulso (sobre a veia) conte os batimentos cardíacos.

    Outro local indicado para perceber a pulsação é o pescoço, pela artéria carótida.

    Veja como analisar se os batimentos estão normais nos diferentes casos (adultos, crianças e lactantes):

    Adultos

    Crianças

    Lactantes (bebês de até 1 ano)

    Entre 60 e 100 bpm (batimentos cardíacos por minuto).

    Entre 100 e 120 bpm (batimentos cardíacos por minuto).

    Entre 120 e 140 bpm (batimentos cardíacos por minuto).  

    Uma forma de encurtar o tempo de contagem da pulsação é medir por 30 segundos e multiplicar o resultado por 2. Ou ainda medir por 15 segundos e multiplicar por 4.

    Pressão arterial

    É o sinal vital mais difícil de ser verificado por um socorrista não profissional, sem ajuda de equipamentos.

    Uma forma de avaliar a pressão arterial e diagnosticar possíveis hemorragias e falhas circulatórias, é o teste de perfusão capilar nas extremidades:

    • Aperte a ponta do dedo da vítima por 5 segundos. A tendência é que a ponta do dedo fique sem coloração (mais clara) por causa da dispersão do sangue. 

    • Solte e observe, o normal é que o sangue e a coloração voltem em menos de 2 segundos.

    • Se demorar mais de 2 segundos, significa que a pessoa está com hipotensão arterial (baixa tensão arterial), como consequência do baixo volume de sangue.

    • Se a pressão e a circulação estão mais baixas que o normal é porque provavelmente há perda de sangue (hemorragia).

    Dica para não errar Dica para não errar

    O termo “HIPO” significa “abaixo do normal”.

    Sempre que uma palavra começar com “hipo” troque por “baixo ou baixa”:

    • Hipotensão = baixa pressão arterial

    • Hipovolemia = baixo volume de sangue

    • Hipotermia = baixa temperatura corporal

    O termo “HIPER” é o contrário e significa “acima do normal”.

    Sempre que uma palavra começar com “hiper” troque por “alto ou alta”:

    • Hipertensão = alta pressão arterial

    • Hipervolemia = alto volume de sangue

    • Hipertermia = alta temperatura corporal

    Temperatura corporal

    A temperatura corporal normal varia entre 36 e 37 graus.

    É o único sinal vital que não varia conforme a idade da vítima.

    Quando a temperatura está acima do normal, o quadro é de hipertermia. Neste caso, você deve:

    • Desagasalhar a vítima.

    • Colocar compressas úmidas e frias na testa, pescoço, axilas e virilha.

    • Se possível, dar um banho de imersão.  

    Se a temperatura estiver abaixo do normal, a vítima estará sofrendo de hipotermia. Neste caso, você deve:

    • Manter o corpo da vítima aquecido.

    • Agasalhar a vítima com cobertores ou manta térmica (para evitar o agravamento do quadro).

    Cerca de 40% das vítimas desenvolvem um quadro de hipotermia durante a fase de atendimento inicial.

    Dilatação e reatividade das pupilas

    A pupila é a bolinha preta que temos no meio do olho, bem no centro da íris: 

    • Quando está exposta à luz, as pupilas se contraem. 
    • No escuro, dilatam-se.  

    No atendimento de vítimas de acidentes de trânsito, avalie tamanho, simetria e reação à luz:

    O ideal é que as pupilas estejam simétricas e com tamanho normal, dilatando-se ou contraindo-se de acordo com a incidência de luz.

    Nomenclatura

    Possíveis causas

    Miose 

    (pupilas contraídas)

    • Lesão no Sistema Nervoso Central (SNC) causada por pancada na cabeça.

    • Consumo de drogas.

    Anisocoria 

    (pupilas assimétricas)

    • Acidente Vascular Cerebral (AVC).

    • Trauma cranioencefálico (traumatismo cranioencefálico).

    • Também causados por pancadas na cabeça.

    Midríase 

    (pupilas dilatadas)

    • Anóxia ou hipóxia (falta de oxigênio).

    • Inconsciência.

    • Estado de choque.

    • Parada cardíaca.

    • Hemorragia.

    Dica para não errar Dica para não errar

    A nomenclatura dos tipos de dilatação das pupilas pode cair na sua prova.

    Miose e midríase são os nomes mais cobrados. Veja essa dica para te ajudar a lembrar a diferença entre a miose e a midríase:

    • Dilatada começa com a letra “D”.

    • Na palavra midríase há a letra “D” (em miose não tem).

    • Se tem a letra “D” no nome é porque as pupilas estão dilatadas.

    Sabendo o que é midríase, por eliminação você se lembrará que miose é usado para pupilas contraídas (isto é, o contrário de dilatadas).  

    Cor e umidade da pele

    As alterações de cor e umidade da pele se manifestam primeiro na face e extremidades dos membros, ou seja nas mãos e pés.

    Observe a coloração da pele para avaliar o quadro da vítima:

    Sintoma

    Possíveis causas

    Pele arroxeada 

    (cianose)

    • Falta de oxigênio.

    • Exposição ao frio.

    • Estado de choque.

    • Parada cardiorrespiratória.

    • Morte.

    Pele pálida 

    (palidez cutânea)

    Sintoma de contração dos vasos sanguíneos, causada por:

    • Exposição ao frio.

    • Hemorragia.

    • Parada cardiorrespiratória.

    Pele avermelhada

    Sintoma de dilatação dos vasos sanguíneos, causada por:


    • Ambiente quente.

    • Bebidas alcoólicas.

    • Febre.