Socorro às Vítimas de Trânsito

alarm Tempo de estudo: 30 minutos

Como o tópico Socorro às Vítimas de Trânsito costuma ser cobrado na prova do DETRAN?

O que fazer no atendimento de primeiros socorros de vítimas de trânsito?

Lembre-se de que em primeiro lugar está a sua segurança e das pessoas que estão no local.

No atendimento de socorro às vítimas, utilize luvas ou outro material, como sacos plásticos, para proteger suas mãos do contato com sangramento e secreções.

Ao iniciar o contato com a vítima, faça tudo com base em 4 atitudes:

  1. Informe à vítima o que você está fazendo para ajudá-la.

  2. Ouça suas queixas, não minta e não dê informações que causem impacto.

  3. Aceite sua ansiedade respondendo às perguntas com calma.

  4. Seja solidário e permaneça junto à vítima em um local onde ela possa ver você.

Se a vítima estiver agressiva, solicite a ajuda de familiares ou conhecidos dela, se houver algum.

Facilite a respiração da vítima, tendo sempre o cuidado de não movimentá-la

  • Afrouxe a roupa da vítima.

  • Solte o cinto de segurança, caso ele esteja dificultando a respiração.

  • No caso de motociclistas, abra a viseira e a presilha do capacete.

  • Mantenha o local onde a vítima se encontra arejado.

Se a janela estiver aberta, fale com a vítima sem abrir a porta. Se for abrir a porta, faça com muito cuidado para não movimentar a vítima.

Identifique as vítimas com prioridade de socorro

  • : Vítimas inconscientes (desacordadas).

  • : Vítimas com parada respiratória.

  • : Vítimas com parada cardíaca.

  • : Vítimas com hemorragia (sangramentos abundantes).

Dica para não errar Dica para não errar

A prioridade de atendimento não está diretamente relacionada à gravidade da lesão.

Uma vítima com parada cardíaca, por exemplo, tem maiores chances de morrer do que uma com parada respiratória.

Porém, com procedimentos simples, você poderá aliviar rapidamente a causa da parada respiratória, garantindo a sobrevivência da vítima.  

Outro ponto de atenção é que o sexo e a idade da vítima não devem ser considerados na prioridade do atendimento.  

O que não se deve fazer com vítimas de trânsito?

O que não se deve fazer:

  • Movimentar a vítima pode piorar uma lesão na coluna ou fratura. A movimentação só deve ser realizada, se houver perigos imediatos ou algum risco incontrolável.

  • Retirar capacetes de motociclistas pode agravar lesões no pescoço e fraturas no crânio.

  • Aplicar torniquetes para estancar hemorragias só deve ser feito por especialistas e em caráter de exceção.

  • Dar alguma coisa para a vítima ingerir poderá atrapalhar os procedimentos hospitalares.  

Dica para não errar Dica para não errar

Regras de ouro para acertar a maioria das questões de Primeiros Socorros:

  • Sua segurança primeiro. Proteja-se, evite contato com sangue ou secreções. Improvise ou use luvas e outros Equipamentos de Proteção Individual (EPI).
  • Boca-a-boca somente com equipamento apropriado ou pessoal treinado.
  • Não ofereça medicamentos.
  • Não dê líquidos para vítimas com suspeita de lesões internas (mesmo se ela pedir).
  • Não utilize as técnicas de garroteamento ou torniquete.
  • Não mexa em um membro fraturado, limite-se a imobilizá-lo.
  • Evite remover a vítima. Se inevitável, movimente o mínimo possível.
  • Não retire ou remova os veículos envolvidos para não prejudicar o trabalho da perícia.

Quais são as principais etapas do atendimento de primeiros socorros às vítimas de trânsito?

As principais etapas no atendimento de primeiros socorros às vítimas de trânsito são:

  • Análise primária.

  • Análise secundária.

  • Manutenção dos sinais vitais.

  • Execução de procedimentos emergenciais.

Como realizar a análise primária?

Na análise primária, você deve tentar identificar se a vida da vítima está em risco e tratar rapidamente os problemas que podem levá-la à morte.

Observe se a vítima:

  • Respira, fala, vê e ouve.

  • Está consciente e em condições de prestar informações que possam ajudar no socorro.

  • Sangra pelo nariz, boca ou ouvidos.

  • Sofre asfixia ou parada cardíaca.

Como realizar a análise secundária?

Na análise secundária você deverá avaliar a vítima da cabeça aos pés em busca de lesões graves, mas que não colocam a vítima em risco iminente de morte.

O ideal é realizar a análise secundária com 2 pessoas, para que uma segure a cabeça da vítima, pressionando as orelhas para não movimentar o pescoço, enquanto a outra apalpa as partes do corpo.

Verifique:

  • Cabeça: crânio e face.

  • Pescoço: observe se há edemas (inchaços), cortes ou perfurações.

  • Olhos, orelhas, nariz e boca: se por eles saem sangue ou fluidos.

  • Tórax: se há edema, objetos encravados, fraturas.

  • Abdômen: divida o abdômen da pessoa em 4 quadrantes e apalpe.

  • Dorso: se há edema, afundamento ou deformidades.

  • Pelve: se há hematomas, sangramento pelas cavidades.

  • Extremidades: dedos, mãos, pés, braços, se houve amputações, cortes e fraturas.

Como verificar os sinais vitais da vítima?

Quem chega ao local de acidente para prestar socorro, precisa saber identificar os sinais vitais da vítima, para avaliar o quadro clínico geral.

Os sinais vitais a serem verificados são:

  • Respiração

  • Pulsação

  • Pressão arterial

  • Temperatura corporal

  • Dilatação e reatividade das pupilas

  • Cor e umidade da pele

Respiração

Aproxime-se para escutar a boca e nariz do acidentado, verificando também os movimentos de tórax e abdômen.

Avalie se a vítima está respirando e se respira de forma irregular. Conte o número de vezes que a vítima respira a cada minuto:

Adultos

Crianças

Lactantes (bebês de até 1 ano)

O normal é 12 a 20 movimentos respiratórios por minuto.

O normal é 20 a 30 movimentos respiratórios por minuto.

O normal é 30 a 40 movimentos respiratórios por minuto.

Se a vítima não estiver respirando, levante o queixo dela e verifique se as vias aéreas estão obstruídas.

Pegue a mandíbula da vítima, movimente-a para cima para estender o pescoço e descolar a língua da garganta, liberando a passagem do ar. Tome muito cuidado com a cervical.

A respiração artificial boca-a-boca, desde 2010, não é uma ação recomendada. Ela deve ser executada somente por pessoal treinado e com equipamentos próprios.

Pulsação

Para verificar a pulsação da vítima, acomode o braço da pessoa e com os dedos indicador e médio apoiados no pulso (sobre a veia) conte os batimentos cardíacos.

Outro local indicado para perceber a pulsação é o pescoço, pela artéria carótida.

Veja como analisar se os batimentos estão normais nos diferentes casos (adultos, crianças e lactantes):

Adultos

Crianças

Lactantes (bebês de até 1 ano)

Entre 60 e 100 bpm (batimentos cardíacos por minuto).

Entre 100 e 120 bpm (batimentos cardíacos por minuto).

Entre 120 e 140 bpm (batimentos cardíacos por minuto).  

Uma forma de encurtar o tempo de contagem da pulsação é medir por 30 segundos e multiplicar o resultado por 2. Ou ainda medir por 15 segundos e multiplicar por 4.

Pressão arterial

É o sinal vital mais difícil de ser verificado por um socorrista não profissional, sem ajuda de equipamentos.

Uma forma de avaliar a pressão arterial e diagnosticar possíveis hemorragias e falhas circulatórias, é o teste de perfusão capilar nas extremidades:

  • Aperte a ponta do dedo da vítima por 5 segundos. A tendência é que a ponta do dedo fique sem coloração (mais clara) por causa da dispersão do sangue. 

  • Solte e observe, o normal é que o sangue e a coloração voltem em menos de 2 segundos.

  • Se demorar mais de 2 segundos, significa que a pessoa está com hipotensão arterial (baixa tensão arterial), como consequência do baixo volume de sangue.

  • Se a pressão e a circulação estão mais baixas que o normal é porque provavelmente há perda de sangue (hemorragia).

Dica para não errar Dica para não errar

O termo “HIPO” significa “abaixo do normal”.

Sempre que uma palavra começar com “hipo” troque por “baixo ou baixa”:

  • Hipotensão = baixa pressão arterial

  • Hipovolemia = baixo volume de sangue

  • Hipotermia = baixa temperatura corporal

O termo “HIPER” é o contrário e significa “acima do normal”.

Sempre que uma palavra começar com “hiper” troque por “alto ou alta”:

  • Hipertensão = alta pressão arterial

  • Hipervolemia = alto volume de sangue

  • Hipertermia = alta temperatura corporal

Temperatura corporal

A temperatura corporal normal varia entre 36 e 37 graus.

É o único sinal vital que não varia conforme a idade da vítima.

Quando a temperatura está acima do normal, o quadro é de hipertermia. Neste caso, você deve:

  • Desagasalhar a vítima.

  • Colocar compressas úmidas e frias na testa, pescoço, axilas e virilha.

  • Se possível, dar um banho de imersão.  

Se a temperatura estiver abaixo do normal, a vítima estará sofrendo de hipotermia. Neste caso, você deve:

  • Manter o corpo da vítima aquecido.

  • Agasalhar a vítima com cobertores ou manta térmica (para evitar o agravamento do quadro).

Cerca de 40% das vítimas desenvolvem um quadro de hipotermia durante a fase de atendimento inicial.

Dilatação e reatividade das pupilas

A pupila é a bolinha preta que temos no meio do olho, bem no centro da íris: 

  • Quando está exposta à luz, as pupilas se contraem. 
  • No escuro, dilatam-se.  

No atendimento de vítimas de acidentes de trânsito, avalie tamanho, simetria e reação à luz:

O ideal é que as pupilas estejam simétricas e com tamanho normal, dilatando-se ou contraindo-se de acordo com a incidência de luz.

Nomenclatura

Possíveis causas

Miose 

(pupilas contraídas)

  • Lesão no Sistema Nervoso Central (SNC) causada por pancada na cabeça.

  • Consumo de drogas.

Anisocoria 

(pupilas assimétricas)

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC).

  • Trauma cranioencefálico (traumatismo cranioencefálico).

  • Também causados por pancadas na cabeça.

Midríase 

(pupilas dilatadas)

  • Anóxia ou hipóxia (falta de oxigênio).

  • Inconsciência.

  • Estado de choque.

  • Parada cardíaca.

  • Hemorragia.

Dica para não errar Dica para não errar

A nomenclatura dos tipos de dilatação das pupilas pode cair na sua prova.

Miose e midríase são os nomes mais cobrados. Veja essa dica para te ajudar a lembrar a diferença entre a miose e a midríase:

  • Dilatada começa com a letra “D”.

  • Na palavra midríase há a letra “D” (em miose não tem).

  • Se tem a letra “D” no nome é porque as pupilas estão dilatadas.

Sabendo o que é midríase, por eliminação você se lembrará que miose é usado para pupilas contraídas (isto é, o contrário de dilatadas).  

Cor e umidade da pele

As alterações de cor e umidade da pele se manifestam primeiro na face e extremidades dos membros, ou seja nas mãos e pés.

Observe a coloração da pele para avaliar o quadro da vítima:

Sintoma

Possíveis causas

Pele arroxeada 

(cianose)

  • Falta de oxigênio.

  • Exposição ao frio.

  • Estado de choque.

  • Parada cardiorrespiratória.

  • Morte.

Pele pálida 

(palidez cutânea)

Sintoma de contração dos vasos sanguíneos, causada por:

  • Exposição ao frio.

  • Hemorragia.

  • Parada cardiorrespiratória.

Pele avermelhada

Sintoma de dilatação dos vasos sanguíneos, causada por:


  • Ambiente quente.

  • Bebidas alcoólicas.

  • Febre.